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Sebrae destaca em entrevista ao RuralCast como inovação e união de instituições podem transformar a economia de Cacoal

Durante o Agro&Cont 2026, Robson Fabre explicou como o ecossistema local de inovação aproxima empresas, universidades e poder público para criar soluções, fortalecer pequenos negócios e impulsionar o desenvolvimento regional.

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A inovação não precisa necessariamente começar com grandes investimentos, equipamentos sofisticados ou tecnologias complexas. Muitas vezes, transformar um negócio significa identificar problemas, reduzir desperdícios, melhorar processos e encontrar soluções capazes de aumentar a produtividade e a competitividade.

Essa foi uma das principais mensagens apresentadas por Robson Fabre, representante do Sebrae em Cacoal, durante entrevista ao RuralCast, do Grupo Amazun, realizada na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), campus de Cacoal, durante o evento Agro&Cont 2026.

A conversa foi conduzida pelo professor Dr. Éverton Gugliotti Coelho, coordenador do curso de Ciências Contábeis da UNIR em Cacoal, e abordou os desafios da inovação, o fortalecimento dos pequenos negócios e a construção de um ambiente regional capaz de transformar conhecimento em desenvolvimento econômico.

O evento Agro&Cont, realizado nos dias 30 e 31 de outubro no AgroHub/UNIR, reuniu profissionais, pesquisadores, estudantes e representantes do agronegócio para discutir temas ligados à contabilidade, gestão empresarial, tributação e futuro dos negócios rurais.

Inovar não significa necessariamente investir em tecnologia cara

Um dos primeiros pontos abordados foi a necessidade de desmistificar o conceito de inovação.

Segundo Robson, muitos empresários ainda relacionam inovação exclusivamente à inteligência artificial, robótica ou sistemas tecnológicos sofisticados. Entretanto, mudanças simples na forma de produzir e administrar também podem gerar resultados expressivos.

"A inovação, gente, ela é algo simples, ela não é algo mirabolante."

Como exemplo, o representante do Sebrae mencionou a produção leiteira, destacando como o melhoramento genético pode contribuir para aumentar a produtividade dos animais e, dependendo das condições de cada propriedade, reduzir custos operacionais.

Ele também citou a redução de desperdícios em restaurantes como exemplo de inovação de processos.

O princípio é que uma empresa não precisa necessariamente criar algo completamente novo para inovar. Melhorar aquilo que já realiza pode representar uma mudança significativa.

A inovação precisa caber no bolso do empreendedor

Outro ponto enfatizado foi a importância da viabilidade econômica.

"A inovação precisa caber no bolso dele."

Para Robson, a busca por melhorias deve considerar a realidade financeira dos pequenos negócios. Uma solução precisa ser compatível com os recursos disponíveis e oferecer benefícios concretos.

Ele também alertou para a resistência às mudanças, caracterizada na entrevista pela chamada "Síndrome de Gabriela", expressão utilizada para representar a mentalidade de quem acredita que uma atividade deve continuar sendo realizada de determinada maneira simplesmente porque sempre foi assim.

A reflexão é especialmente importante para pequenos empresários e produtores rurais que enfrentam dificuldades para modernizar suas atividades.

Cacoal desenvolve ecossistema de inovação com planejamento até 2030

Um dos assuntos centrais da entrevista foi a implantação do Ecossistema Local de Inovação (ELI) de Cacoal.

Robson explicou que a iniciativa reúne representantes de empresas, instituições de ensino, pesquisadores, poder público, organizações da sociedade civil e outras entidades interessadas no desenvolvimento regional.

Segundo o entrevistado, o trabalho começou a ser estruturado em 2024, com um diagnóstico das potencialidades econômicas e institucionais do município.

Em 2025, foram realizados workshops para identificar oportunidades e aproximar os participantes.

Já em 2026, o grupo avançou na organização de sua governança e na elaboração de um planejamento estratégico para o período de 2026 a 2030.

De acordo com Robson, Rondônia já contava com cinco ecossistemas locais de inovação mapeados pelo Sebrae.

A proposta é construir um ambiente colaborativo no qual desafios enfrentados por empreendedores possam ser apresentados a pessoas e instituições com capacidade de desenvolver soluções.

Universidade e empresas precisam trabalhar juntas

Ao longo da conversa, o entrevistado ressaltou que a aproximação entre universidades e setor produtivo é fundamental para aproveitar melhor o conhecimento gerado pelas pesquisas científicas.

Na avaliação dele, uma universidade pode desenvolver estudos relevantes enquanto uma empresa enfrenta problemas que poderiam ser solucionados com esses conhecimentos.

Quando essas atividades acontecem isoladamente, oportunidades de colaboração podem ser perdidas.

O ecossistema de inovação busca justamente aproximar esses diferentes atores.

O professor Éverton também destacou a importância dessa integração, especialmente para que estudantes, pesquisadores e empreendedores tenham oportunidades de contribuir com o desenvolvimento regional.

A ideia é fazer com que os resultados das pesquisas ultrapassem os limites acadêmicos e sejam utilizados na solução de desafios reais.

Dados e inteligência de mercado são fundamentais para decisões empresariais

Outro destaque foi o papel dos dados no planejamento de novos investimentos.

Robson comparou os dados ao petróleo, explicando que as informações precisam ser organizadas e analisadas para produzir valor.

Durante a entrevista, ele mencionou a atuação do SISCAC e do AgroHub, iniciativas ligadas à UNIR, como exemplos de estruturas que contribuem para disponibilizar informações relevantes ao desenvolvimento do território.

Essas ferramentas podem colaborar com estudos sobre potencialidades econômicas, comportamento de mercado e oportunidades de investimento.

Para um empresário que pretende abrir um estabelecimento comercial, por exemplo, compreender a quantidade de concorrentes, a realidade econômica local e as características do público consumidor pode contribuir para decisões mais fundamentadas.

A discussão evidencia que a inovação também depende da capacidade de transformar informações em conhecimento estratégico.

Sebrae oferece apoio para gestão e desenvolvimento empresarial

Robson também apresentou iniciativas do Sebrae voltadas ao fortalecimento dos pequenos negócios.

Entre os programas citados estão o Sebraetec, com soluções de inovação e melhoria de processos, e o Empretec, direcionado ao desenvolvimento de comportamentos empreendedores.

Na avaliação do entrevistado, o sucesso de uma empresa não depende exclusivamente da disponibilidade de recursos financeiros.

Planejamento, iniciativa, persistência e capacidade de adaptação também são fatores importantes.

Ele ressaltou que empreender envolve riscos e que não existe uma fórmula capaz de garantir o sucesso de todos os negócios.

Por isso, o Sebrae trabalha oferecendo capacitação, consultorias e orientação para apoiar os empreendedores na superação de desafios.

O futuro do ecossistema de inovação de Cacoal

Ao abordar as perspectivas para 2030, Robson explicou que um dos objetivos é fortalecer a autonomia do ecossistema local de inovação.

A intenção é que a rede de participantes consiga desenvolver suas próprias iniciativas, identificar problemas regionais e construir soluções colaborativas, mantendo o Sebrae como instituição apoiadora.

O entrevistado convidou empresários, produtores rurais, estudantes e jovens interessados em empreendedorismo a se aproximarem do movimento.

Ele também reconheceu o trabalho de Rangel Miranda, profissional do Sebrae mencionado como um dos colaboradores no fortalecimento das iniciativas de inovação.

Quando a conexão se transforma em solução

Na parte final da entrevista, Robson apresentou uma reflexão sobre o verdadeiro resultado de um ecossistema de inovação.

"O resultado de um ecossistema ele aparece quando a conexão vira solução."

A declaração resume a proposta de aproximar instituições e pessoas com conhecimentos e experiências diferentes, criando possibilidades para superar desafios que dificilmente seriam solucionados isoladamente.

O entrevistado destacou que empresas fortalecidas contribuem para movimentar a economia, ampliar oportunidades de emprego e gerar renda.

Ele também incentivou os jovens a observar os problemas de suas comunidades e enxergá-los como oportunidades de desenvolvimento de soluções.

A discussão levantou uma questão importante para o futuro de Cacoal e de Rondônia: mais do que reunir conhecimento e instituições, é necessário criar mecanismos para que essa conexão produza resultados concretos para a sociedade.

A entrevista integra a cobertura especial do RuralCast, produção do Grupo Amazun, durante o Agro&Cont 2026, realizada na UNIR, em Cacoal. O conteúdo pode ser acompanhado pelo canal Olá Rondônia, no YouTube.


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